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As cores

Círculo cromático, uma ferramenta
básica para combinar cores

21/ago/09

Desde a remota data em que o homem adquiriu o pensamento simbólico, o agente da cor é o pigmento que constitui a cor corpórea ou tinta.

O geólogo e romancista alemão Goethe estabeleceu no início do séc. XIX a Teoria da Cor Pigmento, que viria a explicar pela mistura alguns dos aspectos básicos da cor muito utilizados na pintura. Essa teoria foi desenvolvida no começo do Séc. XX pelos pintores alemães Johannes Itten e Paul Klee, professores na Bauhaus, que ampliaram com trabalhos nesta escola de arte o modelo teórico iniciado por Goethe. Itten identificou na composição da cor por pigmento sete contrastes básicos presentes no Círculo Cromático.

Neste modelo o triângulo central é ocupado pelas três cores primárias:

Amarelo, Vermelho Magenta e Azul Ciano. Da mistura destas obtêm-se todas as restantes cores.

No segundo anel as tres cores secundárias:

Verde (Amarelo + Azul)

Laranja (Amarelo + Vermelho Magenta)

Violeta (Azul + Vermelho Magenta)

O modelo estrutura outros contrastes de cor e harmonias das cores terciárias. Os sete contrastes são: tonalidade/hue (cor), claro/escuro, quente/frio, complementar, simultâneo, saturação e extensão.

A luz é uma onda eletromagnética e o espectro de luz visível pode assumir diversas cores, desde o violeta até o vermelho, em função do comprimento de onda. A luz do sol contém vários tipos de radiações que constituem o espectro eletromagnético. Cada comprimento de onda corresponde a um tipo de radiação. Apenas uma pequena faixa da radiação é captada pelos nossos olhos, varia entre os 400 e os 700 nanômetros, uma faixa de onda eletromagnética que compõe o espectro visível.

Cores do espectro visível
Cor
Comprimento de onda
Frequência
vermelho
~ 625-740 nm
~ 480-405 THz
laranja
~ 590-625 nm
~ 510-480 THz
amarelo
~ 565-590 nm
~ 530-510 THz
verde
~ 500-565 nm
~ 600-530 THz
ciano
~ 485-500 nm
~ 620-600 THz
azul
~ 440-485 nm
~ 680-620 THz
violeta
~ 380-440 nm
~ 790-680 THz

De acordo com Lilian Ried Miller Barros, pesquisadora, professora do centro de estudos Universo da Cor e autora do livro “A cor no processo criativo”, “criar um círculo cromático a partir da mistura das cores primárias é um excelente exercício para quem deseja aprimorar seus conhecimentos sobre o fenômeno da cor”. Segundo ela, embora possa parecer, a princípio, uma atividade destinada às crianças, esse exercício não é tarefa fácil, e compreender a mistura dos pigmentos facilita muito a composição e combinação de cores.

A pesquisadora observa que, além do aprendizado que essa vivência com os pigmentos nos oferece, a possibilidade de construir o próprio círculo cromático é uma experiência intransferível e muito prazerosa. Antes dos estudos científicos que procuraram normalizar esta aplicação da teoria da cor, já os artistas utilizavam formas pessoais de organizar a cor.

Harmonias cromáticas

As primeiras propostas de organização, de Goethe e Runge, espelham essa raiz histórica. A história da evolução da organização de cores através de círculos cromáticos é mais vasta do que a aqui apresentada. O círculo de cores é um resumo ilustrativo da organização de matizes de cor em torno de um círculo, mostrando as relações entre as cores a serem consideradas cores primárias, secundárias, cores complementares etc.

Segundo Itten, a harmonia das cores deve estar relacionada com o equilíbrio e a simetria de porções, e a sua utilização deverá ser feita como uma lei objetiva. A procura de uma harmonia na utilização das cores deve ser um objetivo de trabalho para qualquer profissional que utilize a cor. O conhecimento das leis que proporcionam uma harmonia cromática pode ajudar-nos a encontrar o equilíbrio na cor, como também a ultrapassar os seus limites para atingir uma maior qualidade expressiva.

A harmonia cromática pode ser conseguida quando o conjunto de cores utilizadas completa o espectro, ou seja, quando se utiliza dois grupos de cores que são complementares. Se considerarmos um círculo cromático de 24 cores, e considerarmos duas no mesmo diâmetro, quaisquer que sejam, são cores harmônicas, também designadas por pares cromáticos. Também poderemos considerar cores harmônicas as cores situadas nos vértices de um triângulo equilátero, de um quadrado ou de um hexágono, independentemente do seu posicionamento dentro do círculo cromático.

Uma outra forma de conseguirmos uma harmonia da cor será determinar um diâmetro de uma esfera cromática, definindo assim duas cores complementares e portanto duas cores harmônicas. Poderemos determinar outro conjunto de cores harmônicas se considerarmos um triângulo equilátero, um quadrado ou um hexágono, desde que o centro da circunferência circunscrita coincida com o centro da esfera. E ainda se considerarmos cores posicionadas em vértices de poliedros regulares (tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro), desde que inscritos na esfera.

De acordo com Lilian Ried, tudo é possível na harmonização e com as cores não é diferente, principalmente se forem levados em conta os princípios do círculo cromático. Ele ajuda a compreender a relação entre as cores e a ampliar a sensibilidade visual. A pesquisadora diz que o conhecimento sobre a mistura de pigmentos também permite compreender a harmonia de cores em diversos contextos. “Afinal, não existe cor feia, mas sim cor mal empregada”, conclui.

Veja também:

- A cor como informação

- Significado das cores nem sempre é o mesmo entre vários povos

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